A trava que travava a minha porta destravou
E a porta, silenciosa, livre do entrave, deslizou sorrateiramente
Serena, tranquila
Essa brisa que invade o que respirava sombria e friamente
Tira o fôlego
E aquece, e resfria
E amorna e amacia, alivia
Afasta o que não serve e o que não servia
E agracia
A trava que travava a minha porta só estava
Nem era esse entrave que entreva
É a treva que entreva e entrava
E faz parecer ser o que só estava
Mas a treva se dissipa, como tudo o que entrava
E o desentrave é inevitável
Porque toda porta tem uma trava
E toda trava destrava
Toda fechadura tem uma chave
E toda chave abre (alguma porta)
Todo céu tem uma ave
'Todo dia tem seu fim' [@ingriddlopes]
E todo fim tem seu dia
Até que um dia, não importa o que destrave, tudo acabe
(23 de junho de 2013)
(23 de junho de 2013)








