sexta-feira, 1 de maio de 2009

Asas?

Passando de carro pela Integração ontem em direção ao escritório, tive rapidamente o olhar voltado para um passarinho que pulava no calçadão do canteiro que divide as vias da Avenida.

Puxa vida... por quê tendo asas, ele prefere pular?

A pergunta e os risos me vieram na mesma hora e eu sabia que aquela cena iria me render mais alguns instantes de reflexão.

O solitário passarinho saltitava feliz no calçadão (bem, pelo menos eu acho que ele deve ser um ser feliz), a salvo da velocidade dos tantos veículos que ali transitam diariamente. Mas mesmo tendo asas, ele preferia o chão... Por quê mesmo?

Fiquei me perguntando... O que é mesmo a liberdade?... Se o passarinho é livre pra voar, por que não voava? Bichinho mais besta, não?

Tanta gente passa por aquela avenida todos os dias (inclusive eu), obrigatoriamente. Temos deveres, responsabilidades, horários, compromissos. Mas aquele passarinho estava ali, no chão. Quantos de nós não gostaríamos de também ter asas, pra voarmos quando quisermos e pra onde quisermos... O passarinho simplesmente, pulava.

Talvez essa seja a verdadeira liberdade, a de escolher não voar mesmo podendo. Porém, essa é uma conclusão óbvia.

Percebi que assim como o passarinho tem asas e pode voar, nós não temos e, logicamente, não podemos voar. Tudo bem. Mais uma conclusão óbvia. Mas nem tanto... As asas não são condição para o vôo. O passarinho até pode voar, mas às vezes ele prefere apenas pular. É bem provável que se tivéssemos asas, fôssemos como aquele passarinho que avistei ontem na Integração.

Como não temos, muitas vezes nos lamentamos, nos comparamos às aves que alcançam o céu. Mas nem nos lembramos que provavelmente, se pudéssemos voar, nem saberíamos o valor das asas...

Enfim, o que quero dizer é que as conclusões óbvias e lógicas não nos valem muito, pois talvez a verdadeira liberdade seja ser feliz com muito menos do que o que está à nossa disposição e de poder voar, mesmo sem ter asas...