quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"Green-eyed monster"

O que me leva a escrever sobre o assunto, infelizmente, não é um fato publicável, o que, espero eu, não venha a retirar a transparência do que vou dizer nem deixe de impactar no contexto da proposta.
É que me enoja o sentimento que as pessoas trazem dentro de si e alimentam diariamente, de desejo pelo que não lhes pertence, de frustração por não possuir aquele bem ou aquela qualidade ou aquela característica vista em outrem. É sujo, é repugnante, é, na visão cristã, pecaminoso.

Costuma-se dizer que "a inveja é a arma dos incompetentes". Incompetentes, o mesmo que incapazes, inidôneos, inábeis para verem a vida linda como se lhes deu, para viver a vida como se é possível, e dando o melhor de si mesmo para evoluir sempre.

Sinceramente, me incomoda a atitude invejosa de pessoas que se dizem cristãs, irmãs, sangue do mesmo sangue. É impuro para o corpo, para a alma, para o espírito. É impuro deixar-se dominar tão grandemente por esse desejo maligno. E é incrível como isso pode se manifestar das mais variadas formas.

Ultimamente, tenho observado nitidamente a atuação do maligno, de forma bem sutil e ardilosa (como é do seu feitio) no seio dos núcleos mais importantes de convívio. Ele tem agido com a injeção de sentimentos aparentemente inofensivos, maqueado as situações com elogios, com conversa educada, com atenção superficial. Mas com um ouvido atento e aguçado pela sabedoria e discernimento, dos quais somente podemos nos munir através do Pai, é possível vislumbrar uma triste e doente realidade.

É preciso se encher do que há de melhor do nosso Deus para não darmos lugar às impurezas, ao engano, e ao domínio de uma realidade repleta de frustrações e sentimentos que nos martirizam e àqueles ao nosso redor. Já nos ensina a Palavra de Deus que cada palavra dita e a forma como é dita influencia de modo desvastador. "A língua dos sábios adorna a sabedoria, mas a boca dos tolos derrama a estultícia (estupidez, burrice)" (Provérbios 15:2). "Uma língua saudável é árvore de vida, mas a perversidade nela quebranta o espírito" (Provérbios 15:4).

O que temos dito? Por quê razão o temos dito? De quê forma temos dito? Um elogio sincero, ou um discurso meramente educado? Um sentimento verdadeiro, ou uma triste frustração que carregamos no peito e a lançamos sobre a face do nosso irmão em forma de falsa alegria?

A inveja é a comida que levamos à nossa boca com as nossas mãos contaminadas. E esse alimento, impuro, só nos causa doença, nos abate, nos corrói por dentro, nos massacra, nos dissemina, nos coloca na condição de vermes.

Que o Senhor nos dê graça o bastante para compreendermos o significado pragmático e real desta reflexão, desativando qualquer dispositivo que desencadeie o que a psicologia denomina de formação reativa, obstando que nasça em nós um “green-eyed monster”.

"A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto". (Provérbios 18:21)

Uma ótima quarta-feira.

Ilma Cândido.

3 comentários:

  1. Totalmente de acuerdo! Salvador Dalí disse que "o termômetro do sucesso é a apenas a inveja dos descontentes." O Marquês de Maricá por sua vez disse: "inveja-se a riqueza, mas não o trabalho com que ela se granjeia."

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  2. Ah, os invejosos! Nossa motivação de crescimento...ahahah

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  3. Bela citação do termo shakespeareano, Ilminha. É, a inveja é apenas um reflexo de tudo o que o ser humano carrega de ruim dentro de si. Ultimamente, tem sido objeto de minhas reflexões o egocentrismo de algumas pessoas, essa capacidade que certas criaturas tem de se postarem como o centro de todo Universo, como aquele reizinho do Pequeno Príncipe... Não é mole não...

    Cheirinho!

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